Texto: Arnaldo Moreira
Fotos: Divulgação
E foi justamente nesse período que surgiu a uva que hoje se tornou a grande identidade do vinho uruguaio: a Tannat, quando por volta de 1870, o vasco-francês Pascual Harriague, em Salto, realizou experiências com diversas variedades e chegou à Tannat, uma uva com grande potencial de produção nas condições climáticas do Uruguai
Há contudo um aspeto muito interessante sobre a evolução do Tannat e sua mudança estrutural. Inicialmente, o Tannat era identificado como um vinho com uma forte estrutura e taninos marcantes, o que foi se alterando e aperfeiçoando ao longo do tempo devido à moderna enologia que passou a trabalhar diferentes técnicas de fermentação e amadurecimento, produzindo desde Tannats potentes e encorpados até versões mais leves, frutadas, elegantes, rosés e blends, elaborados em aço inoxidável, concreto, barricas de carvalho e ânforas, além de vinhos de baixa intervenção.
Mas, a região de Canelones não se limitou apenas ao Tannat - que gera um vinho de excelente estrutura e identidade -, hoje há uma produção significativa de outras uvas, como a Merlot - para quem prefere um vinho mais macio e frutado -, Cabernet Sauvignon - como o Tannat um vinho de boa estrutura, mas digamos mais complexo, ou seja que revela camadas de aromas e sabores, que vão se revelando à medida em que é arejado -, Chardonnay - um vinho essencialmente branco e encorpado, muito usado na fabricação de espumantes - , Sauvignon Blanc - um vinho leve e conhecido pelo seu frescor, que tem acidez e o frescor do limão ou de uma lima - e Viognier - este, um vinho branco seco, mas frutado e com uma boa dose de acidez.
Em 1887, ou seja 17 anos depois, o Tannat foi submetido ao crivo das grandes exposições na Europa, em Barcelona, na Espanha, e na França, em Paris, e reconhecido como um vinho de excelente qualidade.
Os produtores perceberam que o Uruguai, nomeadamente, a região de Canelones, possuía requesitos específicos para a produção de vinhos de personalidade, graças às condições favoráveis de seus solos férteis e variados, e à influência climática do Rio da Prata, de temperaturas moderadas oferecendo condições favoráveis tanto para o Tannat quanto para outras variedades brancas.
Se Harriague transformou o Tannat em símbolo do Uruguai, Canelones tornou-se um dos principais territórios responsáveis pela sua consolidação e responde por cerca de 60% da produção nacional, com 1.051,74 hectares de Tannat, equivalentes a 67,6% de toda a área nacional plantada com essa variedade, segundo o Instituto Nacional de Vinicultura - Ivani.
Há contudo um aspeto muito interessante sobre a evolução do Tannat e sua mudança estrutural. Inicialmente, o Tannat era identificado como um vinho com uma forte estrutura e taninos marcantes, o que foi se alterando e aperfeiçoando ao longo do tempo devido à moderna enologia que passou a trabalhar diferentes técnicas de fermentação e amadurecimento, produzindo desde Tannats potentes e encorpados até versões mais leves, frutadas, elegantes, rosés e blends, elaborados em aço inoxidável, concreto, barricas de carvalho e ânforas, além de vinhos de baixa intervenção.
Mas, não posso esquecer o delicado e elegante Pinot Noir, que é usado também em espumantes e acompanhando carnes, e o Albariño, em português Alvarinho, uma uva branca ibérica, originária da Grécia e do Norte de Portugal (aqui por exigências legais de Região Demarcada, é o único lugar onde pode ser produzido o requintado vinho verde), que gera um vinho de acidez elevada, super fresco, excelente para acompanhar frutos do mar, e vem ganhando espaço significativo no Uruguai.
Praias e vinhedos
Canelones está plantado no sul do Uruguai numa região privilegiada, entre Montevideo - de que fica apenas a 45 km - e Punta del Este e soma dois importantes cenários, a região balneárea banhada pelo extenso e belo Rio da Prata, com seus 65 km de praias, cujas águas se misturam com o oceano Atlântico, logo ali na frente, e a vasta amplitude plantada de vinhedos e tradições rurais, uma riquíssima área turística que cresce a olhos vistos graças a uma atraente e rico patrimônio histórico e uma gastronomia imperdível.
Vinhos, gastronomia, praia e cultura se somam para proporcionar um turismo diverso. As vinícolas tradicionais mostram ao turista as várias etapas da produção do vinho que culmina com a degustação de vinhos premium em adegas, algumas subterrâneas, que pode incluir harmonizações com queijos, embutidos, pães artesanais e azeites, numa combinação de aromas, texturas e sabores que amplia o contato com a gastronomia local.
Entre as praias mais conhecidas está Atlântida, que proporciona excelentes áreas de lazer e um rico patrimônio histórico. Entretanto, o Uruguai fora dos meses de verão é um país de temperaturas baixas, o que leva os visitantes a optar por programas gastronômicos, ao vinho, à cultura e às paisagens do interior.
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