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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

De Baco aos vinhos de Canelones: uma história de mais de dois milênios, na terra dos vinhos



Texto: Arnaldo Moreira
Fotos: Divulgação

Ao contrário da história do vinho no mundo, iniciada na antiguidade, especialmente na Mesopotâmia e no Egito, chegando à Grécia e depois a Roma, onde o vinho foi associado a Baco, na verdade, Dionísio, deus do vinho, da fertilidade e das festas (na verdade, um bom vivam), que durou dois milênios, a vinicultura de que vamos falar é moderna, especificamente de Canelones, centro vinículo do Uruguai, surgiu alguns depois, na segunda metade do século XIX, impulsionada por famílias de imigrantes europeus que levaram seus conhecimentos milenares de variedades de uvas e técnicas de cultivo.

E foi justamente nesse período que surgiu a uva que hoje se tornou a grande identidade do vinho uruguaio: a Tannat, quando por volta de 1870, o vasco-francês Pascual Harriague, em Salto, realizou experiências com diversas variedades e chegou à Tannat, uma uva com grande potencial de produção nas condições climáticas do Uruguai

Em 1887, ou seja 17 anos depois, o Tannat foi submetido ao crivo das grandes exposições na Europa, em Barcelona, na Espanha, e na França, em Paris, e reconhecido como um vinho de excelente qualidade. 



Os produtores perceberam que o Uruguai, nomeadamente, a região de Canelones, possuía requesitos específicos para a produção de vinhos de personalidade, graças às condições favoráveis de seus solos férteis e variados, e à influência climática do Rio da Prata, de temperaturas moderadas oferecendo condições favoráveis tanto para o Tannat quanto para outras variedades brancas. 

Se Harriague transformou o Tannat em símbolo do Uruguai, Canelones tornou-se um dos principais territórios responsáveis pela sua consolidação e responde por cerca de 60% da produção nacional, com 1.051,74 hectares de Tannat, equivalentes a 67,6% de toda a área nacional plantada com essa variedade, segundo o Instituto Nacional de Vinicultura - Ivani.

Há contudo um aspeto muito interessante sobre a evolução do Tannat e sua mudança estrutural. Inicialmente, o Tannat era identificado como um vinho com uma forte estrutura e taninos marcantes, o que foi se alterando e aperfeiçoando ao longo do tempo devido à moderna enologia que passou a trabalhar diferentes técnicas de fermentação e amadurecimento, produzindo desde Tannats potentes e encorpados até versões mais leves, frutadas, elegantes, rosés e blends, elaborados em aço inoxidável, concreto, barricas de carvalho e ânforas, além de vinhos de baixa intervenção.



Mas, a região de Canelones não se limitou apenas ao Tannat - que gera um vinho de excelente estrutura e identidade -, hoje há uma produção significativa de outras uvas, como a Merlot - para quem prefere um vinho mais macio e frutado -, Cabernet Sauvignon - como o Tannat um vinho de boa estrutura, mas digamos mais complexo, ou seja que revela camadas de aromas e sabores, que vão se revelando à medida em que é arejado -, Chardonnay - um vinho essencialmente branco e encorpado, muito usado na fabricação de espumantes - , Sauvignon Blanc - um vinho leve e conhecido pelo seu frescor, que tem  acidez e o frescor do limão ou de uma lima -  e Viognier - este,  um vinho branco seco, mas frutado e com uma boa dose de acidez.



Mas, não posso esquecer o delicado e elegante Pinot Noir, que é usado também em espumantes e acompanhando carnes, e o Albariño, em português Alvarinho, uma uva branca ibérica, originária da Grécia e do Norte de Portugal (aqui por exigências legais de Região Demarcada, é o único lugar onde pode ser produzido o requintado vinho verde), que gera um vinho de acidez elevada, super fresco, excelente para acompanhar frutos do mar, e vem ganhando espaço significativo no Uruguai.



Praias e vinhedos
Canelones está plantado no sul do Uruguai numa região privilegiada, entre Montevideo - de que fica apenas a 45 km - e Punta del Este e soma dois importantes cenários, a região balneárea banhada pelo extenso e belo Rio da Prata, com seus 65 km de praias, cujas águas se misturam com o oceano Atlântico, logo ali na frente, e a vasta amplitude plantada de vinhedos e tradições rurais, uma riquíssima área turística que cresce a olhos vistos graças a uma atraente e rico patrimônio histórico e uma gastronomia imperdível.  

 

Vinhos, gastronomia, praia e cultura se somam para proporcionar um turismo diverso. As vinícolas tradicionais mostram ao turista as várias etapas da produção do vinho que culmina com a degustação de vinhos premium em adegas, algumas subterrâneas, que pode incluir harmonizações com queijos, embutidos, pães artesanais e azeites, numa combinação de aromas, texturas e sabores que amplia o contato com a gastronomia local.



Entre as praias mais conhecidas está Atlântida, que proporciona excelentes áreas de lazer e um rico patrimônio histórico. Entretanto, o Uruguai fora dos meses de verão é um país de temperaturas baixas, o que leva os visitantes a optar por programas gastronômicos, ao vinho, à cultura e às paisagens do interior.

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