Alta Roda
Nº 948 — 10/7/17
Fernando Calmon
Estímulo para todos
Em meio a tantas notícias ruins, nada como um sopro de
otimismo em relação à violência do trânsito brasileiro.
No portal na internet
da Seguradora Líder, responsável pelo pagamento de indenizações por mortes e
feridos em acidentes, o boletim estatístico relativo ao ano passado trouxe uma
grande surpresa.
Apesar de escassa repercussão nos meios de comunicação está lá
com todas as letras:
“Em 2016 as indenizações gerais pagas pelo DPVAT (Seguro de
Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre) registraram
redução ante o ano de 2015.
Os casos de invalidez permanente, apesar de
representarem a maioria das indenizações no período (80%), caíram 33%.
As mortes
reduziram-se em 21% e sua participação foi menor em relação às demais coberturas
(7%). Em despesas médicas houve 42% menos indenizações.”
Em números absolutos, perderam a vida em ruas e estradas do
Brasil no ano passado 33.547 pessoas entre motoristas, pedestres e motociclistas.
Ainda de acordo com o citado boletim estatístico, prossegue a mesma tendência
dos anos anteriores: a motocicleta representou a maior parte das indenizações,
76%, apesar de significar apenas 27% da frota nacional.
Ao levar em conta que apenas cinco anos atrás as vítimas em
acidentes fatais chegaram a mais de 55.000 pelo mesmo critério estatístico, a
evolução para melhor impressiona. Claro que ressalvas precisam ser feitas.
Antes os pedidos de indenização retroagiam 10 anos (agora, três anos), um
incentivo a fraudes.
A própria Líder deve ter apertado seus controles sobre
indenizações suspeitas depois de casos rumorosos apontados em investigações.
A
frota brasileira de veículos também diminuiu drasticamente o ritmo de
crescimento, como já registrado nessa coluna.
Ao mesmo tempo, a retração de consumo de combustível por
veículos leves em grandes centros urbanos aponta para menos circulação e,
portanto, menor probabilidade de acidentes.
Ainda assim, esses dados indicam um
cenário alentador em termos de esforço com resultados de governos, entidades
públicas, organizações civis e não governamentais, além de melhoria nos
próprios veículos em circulação tanto em segurança passiva quanto ativa.
Um dos movimentos marcantes é o Maio Amarelo, mês dedicado a
estimular ações coordenadas e incentivadas pelo Observatório Nacional de
Segurança Viária (ONSV) com apoio de entidades de vários setores. Contabilizados ao longo de junho passado os números impressionam.
Mais de quatro
mil ações em diversas cidades do país; 80 mil likes nas páginas oficiais do
Movimento no Facebook (FB); cinco milhões de pessoas alcançadas no FB, 500 mil
acessos no site do Maio Amarelo (entre janeiro e maio de 2017); mais de quatro
mil empresas e entidades (públicas e particulares) promoveram atividades; dois
milhões de visualizações nos dois vídeos da campanha; mais de 385% de aumento
de mídia espontânea em relação a 2016 e mais de 115% de aumento nas palavras
“Maio Amarelo” em pesquisas do Google.
Vamos agir juntos
por um trânsito mais seguro. Que o bom resultado de 2016 seja tendência e não
apenas melhora pontual. Um estímulo para todos.
RODA VIVA
SOBREVIVER como
importador no Brasil é tarefa ingrata. Ao completar 25 anos como representante
da marca Kia no Brasil, o Grupo Gandini experimentou da euforia ao desânimo.
Até tentou montar a van Besta, na Zona Franca, de Manaus, inviabilizada pela
logística, em 1995.
Depois de 400.000 unidades importadas espera novos tempos
com o fim do Inovar-Auto no final de dezembro.
MEIO século de
tradição em modelos de alto desempenho completa a subsidiária AMG da
Mercedes-Benz.
A despeito do preço elevado, comercializou quase 300 unidades no
primeiro semestre ou 45% desse nicho que inclui BMW (M) e Audi (RS).
Topo de
linha GT-R tem 585 cv, controle de tração ajustável e eixo traseiro direcional
entre outros itens por R$ 1.199.000.
MAIS impressionante
é o sedã Mercedes-AMG E 63 S Matic+, capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em
apenas 3,4 s apesar de quase duas toneladas de peso.
Com 612 cv e acachapantes
85 kgfm (cerca de três vezes mais que turbo de carro médio) tem tração nas
quatro rodas variável, suspensão pneumática e controle de largada para disparar
adrenalina. Começa em R$ 699.900.
AUDI lançou
segunda geração do sedã-cupê A5 Sportback com preços que vão de R$ 189.990 a
268.990.
Linhas ganharam dinamismo e a potência parte de 252 cv do motor turbo
de 2 litros. Espaço para joelhos atrás cresceu 2,4 cm.
Reações ao volante são
bastante precisas. Sistema de condução semiautônoma permite aliviar estresse no
para-e-anda do trânsito.
VIAGEM entre
Santarém e Alter do Chão, no Pará, colocou à prova aptidão do novo Land Rover
Discovery em situações fora de estrada de grau médio de dificuldade.
Mesmo com
pneus não adequados para a “aventura”, o SUV de grande porte não se intimidou inclusive
em passagens de vau de até 90 cm de profundidade. Controles eletrônicos mais
atuantes facilitam tudo.
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