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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Coluna Fernando Calmon



Coluna Fernando Calmon


Nº 1.405 —12/6/2026




Anfavea Visions destaca desafios

que a indústria terá de enfrentar


Igor Calvet, presidente da entidade que nasceu com a indústria automobilística brasileira há sete décadas, ressaltou que nos próximos anos será fundamental atentar para a verdadeira mudança de paradigma estabelecida nos grandes polos produtivos mundiais. Três executivos — Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul; Ariel Montenegro, presidente da Renault do Brasil e Evandro Maggio, presidente da Toyota do Brasil — colocaram em pauta os desafios à frente. Não serão poucos, a exemplo do que já ocorre na atualidade com 11 novas marcas no mercado, quase todas chinesas. Algumas já empenhadas em iniciar montagem local.

Zola ressaltou a necessidade de aumentar a competividade, sem deixar de lado a importância de localização de componentes. A China teve crescimento avassalador e estabeleceu grandes diferenças que marcas ocidentais precisam diminuir. Para o Brasil em particular ele apontou parcerias com as chinesas Leapmotor e possivelmente Dongfeng. No caso da primeira marca, ressaltou a produção CKD do B10 e do C10, em Goiana (PE). Ressalvou, entretanto, que a generalização de CKDs desequilibra a geração de empregos tão importante para o País.

Montenegro destacou o sucesso dos programas Mover e Carro Sustentável. Os avanços também dependem de velocidade nas decisões e escala de produção. Por isso, antecipou a produção do elétrico EX2 na fábrica paranaense pela crescente aceitação de modelos de preços mais baixos. Ressaltou que a competividade mundial mudou de patamar e a Inteligência Artificial vai acelerar as transformações em curso.

Maggio frisou a relevância de ter menos dependência do que vem do exterior, aumentar o índice de localização de componentes e desenvolver a engenharia nacional. Dez anos atrás, carros de entrada tinham maior participação de mercado do que atualmente. Hoje, acrescentou, há maior sofisticação e preços naturalmente mais altos. O Mover levou a marca a fazer o maior investimento de sua história, desde a inauguração da primeira fábrica há 64 anos.

No segundo dia do Anfavea Visions, o CEO da VW, Ciro Possobom, disse que, apesar das dificuldades, o Brasil produz veículos mais baratos do que os equivalentes no exterior. Contudo, é necessário fabricá-los de forma mais rápida para não ficar atrás da concorrência externa. Eduardo Jurcevic, CEO do Webmotors, ressaltou que consumidor jovem hoje tem menos pressa. Antes, quando completava 18 anos, tratava de logo obter a CNH e comprar (ou ganhar) um carro.

Balanço final do evento na visão da Anfavea: “O Brasil reúne escala de mercado, capacidade industrial, engenharia, matriz energética limpa e experiência em múltiplas rotas tecnológicas. Todavia, precisa transformar esses atributos em decisões coordenadas, investimentos e políticas de longo prazo a fim de ocupar um lugar relevante na nova indústria da mobilidade.”


Marcas chinesas enfrentam desvalorização na Alemanha


Apesar do avanço chinês em termos de estilo, modelos elétricos, híbridos ou só com motores a combustão de especificações surpreendentes e, em especial, a preços bem baixos, a situação atual na Alemanha, maior mercado do continente europeu, apresenta números decepcionantes quanto à desvalorização de usados. O estudo publicado pela alemã DAT (equivalente à tabela FIPE, no Brasil) foi repercutido pelo site Automotive News Europe (ANE), agora no final de maio.

Quase metade dos entrevistados teme o desaparecimento de várias marcas chinesas, nos próximos cinco anos, com reflexo na disponibilidade de peças de reposição e consequentes problemas de manutenção e reparação a longo prazo. Segundo Martin Weiss, que comanda o departamento de precificação da DAT, “o mercado carece de experiência com modelos chineses mais antigos. Muitas marcas entraram recentemente no mercado alemão, o que deixa dúvidas sobre durabilidade e qualidade com o passar do tempo”.

Companhias de leasing têm grande participação na Alemanha em veículos de passageiros novos. É bastante comum as empresas em geral oferecerem carros alugados subsidiados aos seus empregados como parte do salário (fringe benefits, em inglês, benefícios adicionais, em português). Weiss declarou à ANE que empresas ofertantes de aluguéis de longo prazo tornaram-se mais cautelosas para aceitar produtos chineses. “Algumas até exigem pagamento antecipado, antes de concordar em incluir os carros em seus portfólios”, ressaltou.

Por outro lado, o correspondente na China do site matriz americano Automotive News, também no final de maio, apontou problemas que já existiam e se agravaram. “As gigantes chinesas de veículos elétricos estão sofrendo em seu próprio país, com a queda nas vendas de elétricos em todo o território nacional e a consequente redução dos lucros de empresas líderes como BYD e Geely.”


Teste: Renegade Willys 2027 é mais Jeep


Retoques de estilo atualizaram o modelo que está no mercado há 11 anos, praticamente sem mudanças estéticas. Visual evoluiu com nova grade e retoques nos faróis. Ao protetor de cárter mais robusto e novas rodas de aro 17 pol. com pneus de uso misto somam-se acabamentos escurecidos nos logotipos e grade, além do adesivo 1941 (ano de fundação da marca) no capô. Para-choques dianteiro e traseiro também são novos.

Dimensões (mm): comprimento, 4.268; entre-eixos, 2.570; largura, 1.805 (2.018 contando os espelhos); altura, 1.731. Volumes (L): porta-malas, 314; tanque, 55. Massa: 1.643 kg. Motor 4-cilindros, turbo 1,3 L flex: potência 176 cv (E)/(G); torque 27,5 kgf·m (E)/(G). Consumo (Inmetro km/L, cidade/estrada): 6,3/7,4 (E); 9,2/10,1 (G). Alcance (Inmetro km, cidade/estrada): 346/407 (E); 506/556 (G). Tração 4x4 sob demanda. Câmbio automático epicíclico, nove marchas. Aceleração 0 a 100 km/h (s): 9,7 s (E)/(G).

O interior do Renegade Willys foi melhorado. Apesar de perder o acabamento emborrachado (mais caro), o console central com alavanca de câmbio mais curta, quadro de instrumentos digital de visual bem elaborado, tela multimídia de 10,1 pol. de novo formato, fácil conectividade e integrada ao assistente Alexa da Amazon, finalmente chegaram saídas do ar-condicionado para o banco traseiro. Teto solar panorâmico mantido.

Nesta versão não existe o recurso semi-híbrido MHEV, certamente para não aumentar o preço, já que seu foco principal é o desempenho fora de estrada e não o para-e-anda das grandes cidades. Estepe tem a mesma medida das rodas de 17 pol. e apesar de limitar o volume do porta-malas, significa mais tranquilidade em caso de um furo. Respostas imediatas ao acelerador, comportamento em curvas compatível com a proposta e dirigibilidade em qualquer tipo de pavimentação confirmam suas qualidades, apesar de seus 1.643 kg em ordem de marcha.

Preço: R$ 189.490.


T-Cross ganha série Rock in Rio na versão 200 TSI


Pela primeira vez o SUV compacto, líder no segmento desde 2023, recebe a grife do importante em nível mundial festival carioca de música e entretenimento. Focado na relação preço-benefício, incorpora itens de série antes restritos às configurações de topo da gama. Motor é o 1-L, turbo, três cilindros, 128 cv (E)/116 cv (G) e 20,4 kgf·m. 

Inclui rodas de liga leve diamantadas e escurecidas de 17 pol., retrovisores e maçanetas em preto brilhante, adesivos do evento nas portas dianteiras, colunas traseiras e na tampa do porta-malas. Grade é iluminada por um filete de LED, item antes exclusivo das versões mais caras, Highline e Extreme.

Por dentro, o T-Cross tem bancos com padronagem exclusiva e costuras azuis, detalhes em vermelho e o logotipo do Rock in Rio gravado, que também decora o painel em frente ao passageiro. Sistema de som com seis alto-falantes de série.

Preço: R$ 142.990 (igual ao 200 TSI convencional).

VW também confirmou: ID.4 na configuração mais avançada será seu primeiro carro elétrico, importado da Alemanha, à venda no País. Em relação à versão antes oferecida apenas por assinatura, terá mais potência, torque, alcance e maior velocidade de recarga em corrente contínua (DC). Ainda não divulgou a data de estreia aqui.


quinta-feira, 11 de junho de 2026

GWM anuncia ORA 03 para o programa Move Brasil Táxi e Aplicativos em agenda com o vice-presidente Geraldo Alckmin


A GWM Brasil recebeu o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, em visita à concessionária da marca em Brasília (DF), em parceria com o Grupo Jorlan, em um encontro que marcou novos avanços na estratégia da montadora no país. Durante a agenda, a empresa anunciou a inclusão do ORA 03 BEV58 no programa Move Brasil Táxi e Aplicativos, iniciativa voltada à ampliação do acesso de motoristas profissionais a veículos eletrificados.


O vice-presidente foi recebido pelos principais executivos da GWM Brasil: Qi Jie, presidente-executivo; Ricardo Bastos, diretor de Assuntos Institucionais; Diego Fernandes, COO; Gustavo Maranhão, gerente de Relações Governamentais; e Zeca Chaves, Head de Comunicação, em uma agenda que reforçou o diálogo entre a indústria automotiva e o governo federal sobre mobilidade sustentável e desenvolvimento industrial.

“A GWM acredita no papel das polícias públicas e no diálogo como indutor de transformações da mobilidade no Brasil. Iniciativas como o programa Move Brasil Táxi e Aplicativos ampliam o acesso a tecnologias mais eficientes, com impacto direto para quem trabalha diariamente nas cidades”, afirma Ricardo Bastos.

Durante a visita, a GWM apresentou um panorama atualizado de sua operação no Brasil, com destaque para a evolução da produção nacional. A linha de veículos fabricados no país, Haval H6, Haval H9 e Poer P30, alcançou recentemente o marco de 10 mil unidades produzidas na planta de Iracemápolis (SP), consolidando o ritmo de crescimento da marca e sua estratégia de nacionalização.

Outro destaque da agenda foi a apresentação do Tank 300 Flex, modelo recém-lançado que se tornou o primeiro híbrido plug-in flex do mundo. A tecnologia combina eletrificação com o uso de etanol, reforçando o papel do Brasil como referência em soluções energéticas sustentáveis e posicionando a GWM na vanguarda da inovação automotiva.


A inclusão do ORA 03 BEV58 no programa Move Brasil Táxi e Aplicativos representa mais um passo da companhia na democratização da mobilidade elétrica. Dentro da iniciativa, o modelo será ofertado por R$ 150 mil para taxistas e motoristas de aplicativos elegíveis, conforme os critérios do programa, ampliando o acesso a veículos mais eficientes e sustentáveis para o transporte urbano profissional.

A visita também contemplou a apresentação dos próximos projetos da GWM no país, incluindo novos investimentos e a ampliação de seu portfólio, reforçando o compromisso de longo prazo da empresa com o mercado brasileiro.

Em comemoração aos 50 anos no Brasil, ação comercial de Fiat estreia série de histórias no programa ‘Que História é Essa, Porchat?’

 

Como parte das comemorações de seus 50 anos de Brasil, a Fiat estreou nesta terça feira (9), uma parceria comercial com a Globo no programa "Que História é Essa, Porchat?", exibido no GNT e na TV Globo. Ao longo dos próximos meses, clientes, colaboradores, personalidades e fãs da marca irão dividir 12 histórias marcantes que têm a Fiat como protagonista.

A primeira história que marca o início da série foi contada por Robson Cotta, engenheiro mecânico que, durante quase 40 anos, trabalhou na Fiat. Considerado uma “lenda” da companhia, Cotta participou de grandes projetos, entre eles, do desenvolvimento e adaptação do Uno para atender às características do mercado brasileiro. O modelo, que chegou no país em 1984, marcou gerações e saiu de linha em 2021, no mesmo ano em que Cotta se aposentou – confira no link para assinantes.


A iniciativa, criada pela agência Leo e pela Globo, reúne histórias reais que mostram como a Fiat esteve presente em momentos importantes da vida das pessoas, reforçando sua conexão com o público brasileiro desde a chegada da marca ao país até os dias atuais. 

Ao longo dos próximos meses, novos convidados que possuem relação com a marca serão apresentados ao público, trazendo histórias que ajudam a contar, sob diferentes perspectivas, a trajetória da Fiat no Brasil. O projeto ainda terá desdobramento nas redes sociais em parceria com a ViU.

O programa "Que História é Essa, Porchat?" vai ao ar todas as terças-feiras, às 21h45, no GNT. Na TV Globo, a nova temporada estreia em julho.

Com bar montado em palco no Palácio dos Festivais, abertura do Connection Terroirs do Brasil tem homenagens e certificações. Ao todo, 16 Indicações Geográficas foram agraciadas por participarem pela primeira vez no evento; e duas receberam o certificado pelo registro no INPI

 

Eduardo Zorzanello e Marta Rossi, CEOs do Festuris

O Bar Connection foi cenário para uma noite especial em Gramado, com a abertura da edição de 2026 do Connection Terroirs do Brasil, nesta quarta-feira (10). A cerimônia de início do evento, que vai até o sábado (13), ocorreu no mesmo palco em que a cidade da Região das Hortênsias recebe as estrelas do cinema: o Palácio dos Festivais.


Considerado a maior vitrine nacional dedicada aos produtos de origem, o Connection reforça sua proposta de valorizar territórios, impulsionar o turismo e conectar o Brasil por meio de sua diversidade cultural e produtiva. Realizado pela Rossi & Zorzanello em parceria com o Sebrae, o evento propõe uma imersão nos terroirs brasileiros, reunindo produtores, especialistas nacionais e internacionais, chefs e o público em uma programação que integra conteúdo, experiências e negócios.


No coração de Gramado, além do Palácio, as ruas Coberta, Pedro Benetti (ao lado da Igreja Matriz São Pedro) e a Sociedade Recreio Gramadense recebem a programação com o tema “feito com alma, a muitas mãos”. O objetivo é reforçar a essência coletiva que caracteriza especialmente os produtos com Indicação Geográfica.


A CEO da Rossi & Zorzanello, Marta Rossi, expressou profunda gratidão pela parceria histórica com o Sebrae, ressaltando que a entrega do evento é fruto de um intenso sentimento de união e trabalho coletivo. Ela celebrou a presença de 12 estados, que revelam um Brasil rico, criativo, empreendedor e cheio de força, além de valorizar a conexão internacional com o México, representado pela presença da tequila José Cuervo. 


Relembrando o desafio assumido há quatro anos para trabalhar o tema das Indicações Geográficas, Marta destacou como a união de esforços superou as inseguranças iniciais, consolidando um projeto grandioso. "O Connection Terroirs do Brasil realmente é feito com alma e a muitas mãos. Por isso, com quatro anos, já temos histórias de sucesso para contar", afirma.


Ao valorizar a grandiosidade da estrutura montada para esta edição, a CEO destacou a importância da parceria com o poder público municipal. Ela ressaltou como a ocupação do espaço urbano valoriza ainda mais os expositores, transformando o coração da cidade em uma grande vitrine para as riquezas brasileiras.



O também CEO da Rossi & Zorzanello, Eduardo Zorzanello, aprofundou o impacto transformador que o sentimento de pertencimento gera no desenvolvimento de um território. Ele celebrou a expansão estrutural desta edição do evento em Gramado — que agora conta com espaços imersivos dedicados a vinhos, gastronomia, cafés e artesanato — e enalteceu a diversidade de produtos certificados de todo o país, a exemplo dos queijos da Canastra, das panelas de barro e da recém-reconhecida torta alemã de Panambi (RS).


Ao destacar a missão do projeto em dar visibilidade à riqueza e à autenticidade das origens brasileiras, ele resumiu: "Estamos falando da nossa identidade, falando da nossa história e da nossa gente. É para poder trazer a brasilidade de ponta a ponta e evidenciar que em cada região, que em cada lugar existe algo diferente. Existe um saber fazer íntegro, único, capaz de gerar algo agregado, totalmente diferenciado", destaca Zorzanello.


O superintendente do Sebrae/RS, Joel Vieira Dadda, exaltou a tradição e o trabalho minucioso por trás dos produtos regionais brasileiros. Em seu discurso, ele destacou o esforço da entidade em promover o desenvolvimento e a troca de conhecimentos para os pequenos negócios, ressaltando que o evento atua como uma ponte fundamental entre a produção local e o mercado global. "As indicações geográficas são o reconhecimento formal de toda essa história de gerações e gerações. O selo que diz ao mundo que esse produto é único", garante.



Homenagens e certificações às Indicações Geográficas


Também no Bar Connection, a organização entregou o Troféu Connection Terroirs do Brasil às 16 Indicações Geográficas que participam do evento pela primeira vez (confira a lista abaixo). As duas últimas das 163 IGs brasileiras também receberam a certificação no palco do Palácio dos Festivais pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI): o café da Serra de Baturité (CE) e o bolo tradicional de origem alemã da Käsekuchen de Panambi (RS):

Açaí de Bailique do Amapá
Banana de Luiz Alves (SC)
Cachaça de Areia da Paraíba
Cachaça de Viçosa do Ceará
Café Conilon do Espírito Santo
Café Mandaguari do Paraná
Café da Serra de Apucarana
Café da Serra de Baturité
Café Torrinha de São Paulo
Cristais de Quartzo de Cristalina
Goiaba de Carlópolis do Paraná
Queijo do Cerrado de Minas Gerais
Queijo Sudeste do Paraná
Renda de Bilro de Aquiraz
Renda Renascença do Cariri Paraibano
Uva e Manga do Vale do Submédio São Francisco

Connection Terroirs do Brasil

O Connection Terroirs do Brasil ocorre de 10 a 13 de junho e tem a correalização do Sebrae e a Secretaria de Turismo do RS como patrocinador. É considerado a principal vitrine nacional de produtos de origem, reunindo produtores, especialistas e marcas em torno de temas como identidade, território e autenticidade. A programação inclui palestras, painéis, experiências sensoriais e uma feira com produtos de Indicação Geográfica. 

A agenda de conteúdo acontece nos dias 11 e 12 de junho, no Palácio dos Festivais, com especialistas nacionais e internacionais debatendo temas como turismo de experiência e os desafios das indicações geográficas no cenário global. As inscrições para acesso às palestras podem ser realizadas pelo site connectionexperience.com.br


Texto: Vitória Leitzke | fernando@rossiezorzanello.com.br

Foto: Connection Terroirs do Brasil/Divulgação*

*A imagem está identificada com o nome do fotógrafo




COLUNA MECÂNICA ONLINE®

 



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Tarcisio Dias

10 | JUNHO | 2026


BYD Atto 2 DM-i Flex ou GWM Haval H6 Flex: qual híbrido plug-in é mais avançado?


Novos híbridos flex inauguram uma nova fase da eletrificação no Brasil e mostram estratégias diferentes para combinar etanol, eletrificação e eficiência energética.

A chegada do BYD Atto 2 DM-i Flex e da linha GWM Haval H6 Flex marca um novo capítulo da eletrificação brasileira. As duas fabricantes chinesas apostam no etanol como aliado da mobilidade de baixa emissão, mas seguem caminhos de engenharia bastante diferentes para alcançar esse objetivo.

A estratégia da BYD prioriza uma arquitetura predominantemente elétrica, enquanto a GWM aposta em um sistema híbrido mais complexo, com maior integração mecânica entre os motores elétricos e o propulsor a combustão.

Para o consumidor, ambos entregam a proposta de um híbrido plug-in flex, capaz de rodar utilizando eletricidade, gasolina ou etanol. Porém, a forma como cada sistema opera revela filosofias distintas de desenvolvimento.

No caso do Atto 2 DM-i Flex, o motor elétrico é o protagonista da condução. Em boa parte das situações, o veículo se comporta como um carro elétrico, utilizando o motor a combustão principalmente para gerar energia e alimentar a bateria.

Já o sistema DHT Flex da GWM busca uma interação mais intensa entre as duas fontes de energia, permitindo que motor elétrico e motor térmico trabalhem juntos com maior frequência.

Essa diferença impacta diretamente a experiência ao volante. O BYD Atto 2 tende a oferecer uma condução mais silenciosa e semelhante à de um veículo elétrico puro, enquanto o Haval H6 Flex se aproxima da sensação de um SUV convencional sofisticado.

Um dos destaques do sistema da BYD é o novo motor 1.5 flex de alta eficiência térmica, capaz de atingir até 46,06% de aproveitamento energético. Trata-se de um índice extremamente elevado para motores de combustão interna.

Na prática, essa eficiência significa que uma parcela maior da energia contida no combustível é convertida em movimento ou eletricidade, reduzindo perdas e contribuindo para o menor consumo.

A GWM, por sua vez, concentrou esforços na adaptação completa ao combustível brasileiro. A marca revisou componentes como bombas de combustível, bicos injetores, velas, juntas, vedações e sedes de válvulas.

Além disso, o sistema utiliza um sensor de composição do combustível, capaz de identificar instantaneamente a proporção entre etanol e gasolina para otimizar a estratégia de funcionamento do motor.

Sob a ótica da tropicalização, a GWM apresenta um desenvolvimento mais profundo voltado ao mercado brasileiro, resultado da participação da engenharia local no projeto.

Uma das maiores diferenças entre os sistemas aparece na transmissão. O DM-i da BYD utiliza uma arquitetura mais simples, com menor participação mecânica no envio da força para as rodas.

Essa configuração reduz a quantidade de componentes móveis, diminui perdas por atrito e pode representar vantagens em termos de durabilidade e custos de manutenção no longo prazo.

Já a GWM utiliza transmissões DHT de duas ou quatro marchas, dependendo da versão. O sistema permite maior aproveitamento conjunto dos motores elétrico e térmico, principalmente em velocidades mais elevadas.

O resultado é uma entrega de potência mais robusta e uma eficiência superior em determinadas condições de uso, embora com um conjunto mecanicamente mais complexo.

Quando o assunto é experiência elétrica, a BYD leva vantagem entre os SUVs compactos. O Atto 2 GS oferece autonomia elétrica de até 110 km, permitindo que muitos usuários realizem seus deslocamentos diários sem consumir combustível.

Na linha da GWM, o destaque fica para o Haval H6 PHEV35, que alcança até 126 km pelo padrão PBEV e até 180 km pelo ciclo WLTP, posicionando-se entre os híbridos plug-in de maior alcance disponíveis no mercado nacional.

Em desempenho, porém, a vantagem é claramente da GWM. O Atto 2 entrega 197 cv e 300 Nm de torque, números adequados para sua proposta urbana e familiar.

O Haval H6 HEV já oferece 248 cv e 535 Nm, enquanto as versões PHEV19 e PHEV35 alcançam até 393 cv e 642 Nm de torque.

No topo da gama, o Haval H6 GT acelera de 0 a 100 km/h em apenas 4,7 segundos, desempenho comparável ao de modelos esportivos de categorias superiores.

Outro ponto importante da comparação envolve as baterias. A BYD utiliza a conhecida Blade Battery, tecnologia proprietária que ganhou reconhecimento internacional pelos elevados padrões de segurança, resistência estrutural e controle térmico.

Embora a GWM utilize baterias modernas e eficientes, a Blade Battery ainda representa uma das soluções mais reconhecidas do setor quando o assunto é segurança e durabilidade.

No pós-venda, ambas apresentam vantagens distintas. A BYD aposta em uma arquitetura mais simples, menor complexidade mecânica e forte expansão da rede de concessionárias.

Por outro lado, a GWM conta com produção nacional em Iracemápolis, desenvolvimento local da tecnologia flex e participação direta da engenharia brasileira na adaptação dos sistemas ao etanol.

Sob a ótica da manutenção, a menor complexidade mecânica do DM-i pode representar uma vantagem potencial ao longo dos anos, embora o histórico de longo prazo ainda esteja em construção no mercado brasileiro.

Já o DHT Flex da GWM oferece maior sofisticação técnica e desempenho superior, mas incorpora um número maior de componentes mecânicos que exigirão acompanhamento da rede de assistência ao longo do ciclo de vida do veículo.

"A BYD apresenta atualmente a arquitetura mais elegante e eficiente para quem busca máxima economia, simplicidade mecânica e uma experiência próxima à de um carro elétrico. Já a GWM demonstra um nível impressionante de desenvolvimento híbrido, combinando desempenho, adaptação ao etanol e sofisticação técnica em um pacote extremamente avançado. São duas soluções excelentes, mas com propostas claramente diferentes." — Tarcisio Dias, Editor do Mecânica Online®

Para acompanhar os bastidores do desenvolvimento automotivo e análises exclusivas do setor, siga @tarcisiomecanicaonline nas redes sociais.

Comparativo técnico: BYD Atto 2 DM-i Flex x GWM Haval H6 Flex

Aspecto

BYD Atto 2 DM-i Flex

GWM Haval H6 Flex

Filosofia do sistema híbrido

Predominantemente elétrico

Híbrido com maior integração mecânica

Arquitetura

Sistema DM-i com foco na tração elétrica

Sistema DHT Flex com transmissão híbrida dedicada

Participação do motor a combustão

Atua principalmente como gerador de energia

Atua com maior frequência na tração das rodas

Experiência de condução

Mais próxima de um veículo elétrico puro

Mais próxima de um SUV convencional sofisticado

Complexidade mecânica

Menor

Maior

Potencial de manutenção futura

Tendência a menor custo pela simplicidade

Tendência a maior complexidade de manutenção

Motor flex

1.5 flex de alta eficiência térmica

1.5 turbo flex amplamente tropicalizado

Eficiência térmica declarada

46,06%

Não divulgada

Adaptação ao etanol

Projeto global adaptado ao Brasil

Projeto desenvolvido com forte participação da engenharia brasileira

Sensor de teor de combustível

Sim

Sim, com monitoramento dedicado da mistura

Transmissão

Sistema simplificado sem câmbio convencional complexo

DHT de 2 ou 4 marchas, conforme versão

Perdas mecânicas

Menores

Maiores devido à complexidade do conjunto

Autonomia elétrica

Até 110 km

Até 126 km (PBEV) nas versões PHEV35

Potência máxima

197 cv

Até 393 cv

Torque máximo

300 Nm

Até 642 Nm

Aceleração (0 a 100 km/h)

Não divulgada oficialmente

Até 4,7 segundos (H6 GT)

Tecnologia de bateria

Blade Battery

Bateria de íons de lítio

Segurança da bateria

Referência mundial no segmento

Elevada, mas sem o protagonismo da Blade

Produção nacional

Importado

Produzido em Iracemápolis (SP)

Rede de pós-venda

Em rápida expansão

Beneficiada pela futura produção local

Perfil ideal de uso

Economia, simplicidade e uso urbano

Desempenho, tecnologia e viagens longas

Principal vantagem

Eficiência energética e simplicidade mecânica

Desempenho e sofisticação técnica

Principal ponto de atenção

Histórico de longo prazo ainda em construção

Maior complexidade do conjunto híbrido

Veredito Mecânica Online®

Critério

Vencedor

Eficiência energética

BYD Atto 2 DM-i Flex

Simplicidade mecânica

BYD Atto 2 DM-i Flex

Experiência de carro elétrico

BYD Atto 2 DM-i Flex

Tecnologia de bateria

BYD Atto 2 DM-i Flex

Desempenho

GWM Haval H6 Flex

Torque

GWM Haval H6 Flex

Autonomia elétrica máxima

GWM Haval H6 PHEV35

Adaptação ao etanol brasileiro

GWM Haval H6 Flex

Sofisticação do sistema híbrido

GWM Haval H6 Flex

Potencial de menor custo de manutenção

BYD Atto 2 DM-i Flex

Preparação para produção nacional e suporte local

GWM Haval H6 Flex

Para quem busca economia, simplicidade mecânica e comportamento de carro elétrico, o BYD Atto 2 DM-i Flex aparece como a escolha mais racional.

Para quem prioriza desempenho, engenharia híbrida sofisticada e adaptação profunda ao etanol, o GWM Haval H6 Flex se posiciona atualmente como a referência tecnológica entre os híbridos plug-in flex do mercado brasileiro.

BYD Atto 2 DM-i Flex: 197 cv e 300 Nm
Motor térmico BYD: eficiência de até 46,06%
Autonomia elétrica Atto 2 GS: até 110 km
GWM Haval H6 HEV: 248 cv e 535 Nm
GWM Haval H6 PHEV35: 393 cv e 642 Nm
Haval H6 GT: 0 a 100 km/h em 4,7 segundos


Mecânica Online®

Baterias - A CATL revelou seu foco no desenvolvimento de baterias de lítio-ar com tecnologia "respirável", prometendo uma densidade energética teórica equivalente à da gasolina. Esse avanço técnico pode revolucionar a mobilidade elétrica ao abrir caminho para veículos com autonomia superior a 1.600 quilômetros.

Engenharia - O futuro dos motores térmicos na era da eletrificação passa diretamente pela busca da eficiência energética. A engenharia automotiva moderna combina estratégias avançadas como o Ciclo Miller, a redução de cilindrada com sobrealimentação e sistemas de gerenciamento térmico ativo para otimizar os propulsores.

Indústria - A ascensão tecnológica das montadoras chinesas acelera uma mudança histórica no equilíbrio global do setor automotivo. Esse avanço é fortemente impulsionado pelo amplo domínio chinês na cadeia de suprimentos de baterias de alta tensão, semicondutores e softwares embarcados de última geração.

Manutenção - A nova geração da bateria Blade da BYD trouxe ganhos expressivos em eficiência energética e aproveitamento de espaço, mas também impõe desafios extremos para o setor de reparação. A alta integração do conjunto exige novos protocolos de segurança e capacitação diagnóstica dos profissionais.

Suprimentos - A indústria automotiva global enfrenta uma nova crise na cadeia de suprimentos devido ao controle na distribuição de ímãs de terras raras pela China. Esses componentes são vitais para a fabricação de motores elétricos e sistemas avançados de segurança, pressionando os cronogramas de produção ocidentais.

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Eficiência térmica – Percentual da energia do combustível que é efetivamente transformado em trabalho útil pelo motor. Quanto maior o índice, menor tende a ser o consumo.

Transmissão DHT – Sistema híbrido dedicado que integra motor elétrico e motor a combustão por meio de engrenagens específicas para maximizar eficiência e desempenho.

Blade Battery – Tecnologia de bateria da BYD que utiliza células de formato alongado para aumentar a segurança, melhorar o aproveitamento do espaço interno e reduzir riscos de superaquecimento.

TAGS:
byd atto 2, gwm haval h6, híbrido flex, híbrido plug-in, eletrificação, tecnologia automotiva

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