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sábado, 6 de junho de 2026

Coluna de Aviação VAMOS VOAR PELO MUNDO // IATA lança aliança de apoio ao CORSIA (EEU) // Volumes de produção de Combustível Sustentável de Aviação ainda são decepcionantes

IATA lança aliança de apoio ao CORSIA (EEU)

 

Rio de Janeiro, 6 June 2026 – A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) lançou a Aliança de Apoio para a Oferta de Unidades de Emissão Elegíveis ao CORSIA (Supporting Alliance for CORSIA EEU Supply), reunindo partes interessadas de todo o ecossistema do CORSIA em um esforço para impulsionar a disponibilidade de 225 a 250 milhões de Unidades de Emissão Elegíveis ao CORSIA (EEUs) até a primavera de 2027. A Aliança busca:

  • Reunir os recursos das organizações participantes e focar nos gargalos com assistência de implementação sob medida, prática e pragmática.
  • Facilitar e viabilizar a gestão, por parte dos países, da interface entre suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) sob a UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima) e o processo necessário para disponibilizar créditos de carbono para uso no âmbito do CORSIA.
  • Melhorar o acesso dos países aos mercados de carbono e recursos relacionados.

"O CORSIA é o único arcabouço globalmente acordado para lidar com as emissões da aviação internacional, estabelecido pela OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) e seus Estados-Membros em 2016. Os Estados, contudo, possuem suas próprias obrigações sob o Acordo de Paris e a UNFCCC. Os créditos precisam ser transferidos entre esses sistemas para evitar a dupla contagem, o que se tornou um gargalo importante. A Aliança de Apoio fornecerá assistência de implementação para eliminar este e outros gargalos que impedem a chegada de créditos ao mercado do CORSIA.
 

“Vale ressaltar que o CORSIA provavelmente gerará entre 4 e 5 bilhões de dólares em financiamento climático na primeira fase e, potencialmente, 100 bilhões de dólares até 2035, a depender dos preços de mercado. Isso ajudará a financiar ações climáticas, apoiar comunidades remotas e impulsionar o desenvolvimento econômico. Damos as boas-vindas a todos os agentes do mercado de carbono e organizações correlatas para unirem forças nesta Aliança de Apoio para ajudar o CORSIA a concretizar seus potenciais benefícios sociais, econômicos e climáticos", afirmou Marie Owens Thomsen, Vice-Presidente Sênior de Sustentabilidade e Economista-Chefe da IATA.
 

A Aliança está aberta a todas as organizações e governos nacionais dispostos a empenhar conhecimento técnico e recursos práticos, bem como a dar uma contribuição significativa para o desenvolvimento da oferta de EEUs do CORSIA e para a implementação robusta das diretrizes do CORSIA e do Artigo 6.2 do Acordo de Paris. A composição inicial da Aliança abrange mais de 32 entidades, incluindo as seguintes companhias aéreas: Air Asia, AirFrance-KLM, All Nippon Airways (ANA), Austrian Airlines, China Airlines, Corsair, Egyptair, IAG, Japan Airlines, KM Malta Airlines, Lufthansa Group, Pegasus Airlines, Qatar Airways, Scoot, Singapore Airlines e SWISS.
 

Assistência de implementação para países anfitriões

A assistência de implementação para os países anfitriões envolverá, de forma crucial, especialistas reconhecidos do Artigo 6 e do CORSIA integrantes da Aliança de Apoio, e fornecerá suporte pro bono aos países que desejam autorizar o uso de unidades de emissões domésticas sob o CORSIA. Esse suporte facilitará o processo antes do primeiro prazo de conformidade do CORSIA, em dezembro de 2027, e ajudará os países a gerenciarem os processos de relatórios e revisões de maneira contínua.
 

A assistência é prestada aos países mediante solicitação e adaptada às suas necessidades específicas e ao seu estágio de progresso na implementação do Artigo 6.2 do Acordo de Paris.
 

Sobre o CORSIA

O CORSIA (Esquema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional) é o único mecanismo global baseado no mercado para emissões da aviação internacional. Ele foi acordado em 2016 pelos governos por meio da OACI com a intenção expressa de evitar esquemas sobrepostos ou concorrentes que aumentam os custos e a complexidade sem melhorar os resultados ambientais. Os requisitos de compensação começaram em 2021. Ao final de cada período de conformidade de 3 anos, os operadores do setor terão que demonstrar que cumpriram seus requisitos de compensação por meio do cancelamento do número adequado de unidades de emissão elegíveis (EEUs).
 

Considerando as circunstâncias especiais e as respectivas capacidades dos Estados, os Estados-Membros da OACI concordaram em implementar os requisitos de compensação do CORSIA em fases:

  • De 2021 até 2026 (fase piloto de 2021 a 2023; e primeira fase de 2024 a 2026), apenas os voos entre Estados que se voluntariaram a participar do CORSIA estão sujeitos aos requisitos de compensação.
  • A partir de 2027, todos os voos internacionais estarão sujeitos aos requisitos de compensação. No entanto, voos de e para Países Menos Desenvolvidos (LDCs), Pequenos Estados Ilhotas em Desenvolvimento (SIDS), Países Desenvolvidos sem Litoral (LLDCs) e Estados que representaram menos de 0,5% do RTK (tonelada-quilômetro transportada) internacional global em 2018 estarão isentos dos requisitos de compensação, a menos que esses Estados participem de forma voluntária.

O CORSIA foi acordado em 2016 pelos governos por meio da OACI com a intenção expressa de evitar esquemas sobrepostos ou concorrentes que aumentam os custos e a complexidade sem melhorar os resultados ambientais. Os requisitos de compensação começaram em 2021. Ao final de cada período de conformidade de 3 anos, os operadores do setor terão que demonstrar que cumpriram seus requisitos de compensação por meio do cancelamento do número adequado de unidades de emissão elegíveis (EEUs).
 

Considerando as circunstâncias especiais e as respectivas capacidades dos Estados, os Estados-Membros da OACI concordaram em implementar os requisitos de compensação do CORSIA em fases:

  • De 2021 até 2026 (fase piloto de 2021 a 2024; e primeira fase de 2024 a 2026), apenas os voos entre Estados que se voluntariaram a participar do CORSIA estão sujeitos aos requisitos de compensação.
  • A partir de 2027, todos os voos internacionais estarão sujeitos aos requisitos de compensação. No entanto, voos de e para Países Menos Desenvolvidos (LDCs), Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS), Países Desenvolvidos sem Litoral (LLDCs) e Estados que representaram menos de 0,5% do RTK (tonelada-quilômetro transportada) internacional global em 2018 estarão isentos dos requisitos de compensação, a menos que esses Estados participem de forma voluntária.

Volumes de produção de Combustível Sustentável de Aviação ainda são decepcionantes
 

Rio de Janeiro, 6 de Junho de 2026 - A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) divulgou estimativas mostrando que a produção global de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) deve atingir cerca de 2,4 milhões de toneladas em 2026, o que representa apenas 0,8% do consumo total de combustível da aviação, a um custo de 4,3 bilhões de dólares para as companhias aéreas.
 

"Tudo indica que teremos mais um ano decepcionante para a produção de SAF. Cinco anos após o compromisso de atingir a neutralidade de carbono (net zero) até 2050, a produção de SAF responderá por apenas 0,8% do combustível utilizado pelas companhias aéreas este ano. O caminho para suprir 65% das nossas necessidades em 2050 torna-se mais difícil a cada ano devido a políticas governamentais com sequenciamento ineficaz e à falta de interesse das empresas de petróleo. 


O atual choque energético deveria trazer ainda mais urgência ao desenvolvimento de fontes renováveis, incluindo o SAF. No entanto, ainda não vimos este choque energético, a necessidade de desenvolver independência energética e empregos, ou a urgência de mitigar as mudanças climáticas se traduzirem nos incentivos necessários para criar um mercado de SAF viável", declarou Willie Walsh, Diretor-Geral da IATA.
 

Para acelerar a escala de produção do SAF, a IATA defende uma ação coordenada em quatro prioridades:

  • Expandir a oferta de energia renovável para sustentar a produção de SAF e garantir a disponibilidade de matérias-primas e energia limpa suficientes.
  • Garantir o acesso aberto à infraestrutura de combustível, incluindo dutos, instalações de armazenamento e sistemas de abastecimento dos aeroportos, para permitir uma concorrência justa e uma distribuição eficiente.
  • Fortalecer o apoio político por meio do sequenciamento eficaz de incentivos à produção e de marcos de investimento que proporcionem certeza e reduzam riscos antes da imposição de qualquer mandato de uso.
  • Viabilizar um mercado global de SAF com volumes suficientes e preços comercialmente viáveis, o que é crítico para a sustentabilidade financeira e econômica das companhias aéreas.

Um sistema de book-and-claim é essencial para transformar o mercado de SAF de local para global, tornando-o acessível às companhias aéreas e produtores de SAF independentemente de seus domicílios. O mercado global de SAF também deve ser respaldado por padrões harmonizados que criem regras duradouras e concorrência justa.
 

O problema do e-SAF

Junto ao SAF (proveniente de fontes de biocombustível), o e-SAF (combustível sintético ou eletro-SAF) também desempenhará um papel crescente na descarbonização do transporte aéreo. A conversão de eletricidade renovável por meio do processo power-to-liquid (PtL) pode produzir o e-SAF. O e-SAF não requer biomassa ou resíduos de óleos, mas exige grandes volumes de eletricidade renovável, hidrogênio verde, água e CO₂.

A União Europeia (UE) e o Reino Unido estabeleceram mandatos para uma produção de e-SAF de cerca de 0,6 milhão de toneladas até 2030. No entanto, a capacidade de produção global atualmente em operação e em construção gira em torno de apenas 0,02 milhão de toneladas, com uma única planta de produção em atividade. Seriam necessárias aproximadamente 20 refinarias em escala comercial para atingir o volume obrigatório. Além disso, nenhuma nova Decisão Final de Investimento (FID) para instalações de e-SAF foi tomada no último ano.
 

"As metas de e-SAF para 2030 estipuladas pelo Reino Unido e pela UE estão além do irrealista – elas estão totalmente descoladas da realidade. É uma estratégia temerária de criação de mercado de energia impor mandatos antes que a produção seja viabilizada. Tal estratégia servirá apenas para inflacionar os preços. Somada à aplicação de penalidades, ela desvia recursos escassos que deveriam ser alocados na redução real das emissões de CO₂. Essa estratégia é também intrigante, dado que a Europa possui os preços de energia renovável mais altos do mundo. Uma estratégia séria deveria, primeiramente, expandir a produção de energia renovável para reduzir seu preço e construir a capacidade de produção de e-SAF sobre bases econômicas sólidas. Somente a partir desse ponto os mandatos poderiam alcançar os resultados desejados", afirmou Marie Owens Thomsen, vice-presidente sênior de Sustentabilidade e Economista-Chefe da IATA.
 

Apoio dos passageiros à descarbonização

A mais recente pesquisa com passageiros realizada pela IATA (abril de 2026) mostra um apoio forte e consistente à descarbonização do transporte aéreo. 89% dos passageiros acreditam que o setor deve continuar reduzindo as emissões mesmo se os governos recuarem em seus esforços, e uma parcela semelhante vê o ato de voar como algo essencial e que deve se tornar sustentável, em vez de ter seu uso restringido. 


Esse apoio é respaldado por uma disposição para agir: cerca de dois terços dos passageiros (66%) afirmam estar dispostos a pagar mais para compensar as emissões, e quase 88% esperam que os preços das passagens subam como resultado dos investimentos em sustentabilidade.
 

Os passageiros também favorecem claramente soluções de descarbonização "reais", com 25% priorizando a aplicação de recursos no SAF e 23% em tecnologias de redução de emissões, ficando muito à frente da opção por impostos (10%). De maneira significativa, a sustentabilidade já influencia o comportamento de consumo: quase metade dos viajantes (48%) analisa as emissões de carbono ao escolher seus voos. Entre aqueles que realizam essa verificação, mais de 85% afirmam que isso afeta sua decisão, enquanto cerca de três quartos declaram preferir companhias aéreas com melhor desempenho ambiental.
 

No balanço geral, os dados trazem uma mensagem clara: os passageiros esperam que o transporte aéreo avance na descarbonização, apoiam amplamente a transição e inserem cada vez mais a sustentabilidade em suas escolhas, ainda que o custo e a conveniência continuem sendo fatores importantes.

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