Entre as recomendações do guia estão manter distância mínima de 100 metros e nunca interceptar a rota dos animais. O material, baseado em normas do Ibama e protocolos do Instituto Baleia Jubarte, está disponível em versão digital no site do Visit Rio para a temporada de avistamentos, que teve início agora em junho.
“O fenômeno ganhou projeção nas redes sociais e impulsionou a procura pelos passeios marítimos de observação. O crescimento rápido da demanda, no entanto, também acendeu um alerta, com embarcações navegando em áreas inadequadas e preocupando instituições ligadas à preservação ambiental. Queremos que as baleias continuem proporcionando esse espetáculo em nossa cidade, mas, para que isso aconteça de forma sustentável, é fundamental que todos estejam alinhados às boas práticas. Por isso, decidimos nos unir aos dois principais operadores para lançar esta cartilha”, disse Luiz Strauss, presidente-executivo do Visit Rio.
Além da proteção aos animais, o material também tem como objetivo garantir segurança náutica. Luiz Nogueira, proprietário da Let’s Go Sea, relata que já vivenciou situações em que baleias mudaram inesperadamente de direção e se aproximaram muito dos barcos. “Não é um passeio de churrasco ou uma saída recreativa comum na Baía de Guanabara.
É uma experiência de observação em oceano aberto e as pessoas precisam estar preparadas para isso. Mesmo um toque leve pode ser perigoso. A embarcação tem hélice, leme, e a baleia pode chegar a 40 toneladas e 16 metros de comprimento”, explicou.
Entenda o fenômeno
Todos os anos, as jubartes percorrem milhares de quilômetros entre a Antártica e o litoral brasileiro em uma das maiores migrações do planeta. Antes de chegarem ao destino final — o arquipélago de Abrolhos, na Bahia, onde acontecem reprodução, parto e amamentação dos filhotes — elas passam pela costa carioca. De acordo com as empresas que realizam o tour na cidade, a presença das baleias nas proximidades das Ilhas Cagarras se tornou mais frequente nos últimos anos e, em algumas temporadas, os animais chegaram a circular entre as ilhas do arquipélago, aproximando ainda mais o espetáculo natural da costa carioca.
“Elas passam o verão se alimentando de krill, um pequeno crustáceo semelhante ao camarão, e começam a subir a costa no fim do outono em busca de águas mais quentes, e o Rio de Janeiro está exatamente nessa rota migratória”, explica Nogueira.
Para Fernanda Gularte, bióloga da Saveiros Tour, o impacto mais importante desse tipo de turismo vai além da experiência náutica. “As pessoas precisam entender que esse é um turismo ecológico, sustentável, e não um turismo predatório. A gente só preserva aquilo que conhece, aquilo que emociona e aquilo com que cria conexão. O turismo ecológico tem um papel fundamental de aproximar as pessoas das questões ambientais e da preservação dos oceanos”, disse.
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