Coluna Minas Turismo Gerais
Jornalista Sérgio Moreira
Milton Nascimento homenageado no mural em BH
Belo horizonte ganhou um novo marco urbano em homenagem a Milton Nascimento, o mural de 1,6 mil metros quadrados ocupa a empena de um edifício na região central da capital e retrata o artista em dois momentos marcantes de sua trajetória.
Localizada na Avenida Álvares Cabral, entre as ruas Espírito Santo e Timbiras, o mural se tornou atração para moradores e visitantes, que têm parado no local para fotografar a homenagem. O painel já se transformou em um novo atrativo da cidade.
Milton Nascimento completou 84 anos, dia 26 de setembro, e recebeu essa homenagem.
"Virou cartão-postal, virou ponto turístico “
A pintura integra a 20ª edição do projeto Fábrica de Graffiti. Segundo a organização, esta é a primeira vez que o projeto realiza uma empena em Belo Horizonte.
De acordo com Paula Mesquista, representante da iniciativa, a escolha de Milton Nascimento ocorreu pelo significado do artista para Minas Gerais e para a música brasileira.
"Essa é a vigésima edição da Fábrica de Graffiti, uma edição comemorativa. O projeto é mineiro, apesar da atuação nacional. Qual a melhor forma de homenagear Minas Gerais e o Brasil senão pelo maior artista mineiro, que é Milton Nascimento?", disse.
A dimensão da obra também impressiona quem acompanha o dia a dia da região. O dentista Maurício Rocha observou a execução do mural da janela do consultório onde trabalha e agora tem o painel como parte da paisagem.
"Essa paisagem da janela ilustrando a música do Clube da Esquina é merecida. Milton Nascimento realmente é um grande artista e merece toda essa homenagem", afirmou.
Referências à trajetória de Bituca - O mural foi criado pelo artista plástico e muralista Kaká Chazz e apresenta Milton Nascimento em duas fases distintas da carreira. Segundo o historiador Bruno Vieiros, especialista em Clube da Esquina, a composição reúne símbolos importantes da história do artista.
Artista plástico e muralista Kaká Chazz
De um lado, Milton aparece com o tradicional chapéu de maquinista, associado aos anos 1970. No acessório está reproduzido um desenho feito pelo próprio cantor, utilizado na capa do álbum Gerais, de 1976.
"O primeiro momento é do artista colocando o pé na estrada, observando o mundo com coragem, com desejo de conhecer e cantar os caminhos do mundo", explicou o historiador.
Na outra imagem, Milton surge em referência à despedida dos palcos, realizada em 2022, vestindo um manto criado pelo estilista Ronaldo Fraga.
"É como se fossem os dois lados da mesma viagem. Um olhar do músico começando a carreira e outro quando ele olha para o passado e vê o caminho percorrido durante mais de 60 anos de trajetória", afirmou Bruno.
Outro elemento destacado na obra é a sanfona, instrumento que, segundo o historiador, foi um presente dado ao cantor por sua mãe quando ele ainda era criança.
Inspiração no cerrado e na cultura mineira - As cores do mural foram inspiradas no cerrado, bioma presente em grande parte do território mineiro. O artista Kaká Chazz também incorporou referências ao barroco mineiro, especialmente às obras de Aleijadinho.
"O cerrado é conhecido como um bioma dourado e eu trago muito essas tonalidades para a obra. Os ornamentos também são referência ao barroco mineiro e às obras de Aleijadinho", explicou.
Segundo o muralista, aves do cerrado também fazem parte da composição visual, reforçando a relação entre a obra de Milton Nascimento, a natureza e a cultura popular mineira.
O painel virou atração na capital mineira
Painel gigante em homenagem a Milton Nascimento no Centro de BH
Coluna Minas Turismo Gerais Jornalista Sérgio Moreira @sergiomoreira63 informação para a coluna enviar para sergio51moreira@bol.com.br
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