
Desde o início, a Citroën buscou ir além das ruas e rotas convencionais para conquistar novos terrenos, sem abrir mão da confiabilidade e do conforto em qualquer situação, caracteristicas que se tornaram parte da marca e está presente nos SUVs do duplo chevron.
Em 1922, três anos após a fundação da marca, a Citroën aceitou o desafio de atravessar o Saara de carro pela primeira vez. Para André Citroën, estar em grandes expedições e cruzar territórios inexplorados era a melhor forma de consolidar a imagem da marca e reforçar a robustez dos modelos produzidos pela Citroën. O deserto do Saara reunia as condições ideais para esse propósito.
Para garantir o sucesso da missão e a adaptação dos veículos às condições mais extremas, André Citroën contratou Adolphe Kégresse, engenheiro militar francês que esteve ao serviço do czar da Rússia e patenteou um sistema que permitia que os automóveis fossem capazes de enfrentar terrenos difíceis com maior eficiência.
A liderança da expedição foi confiada a Georges-Marie Haardt, então diretor-geral da Citroën e com experiência prévia em veículos blindados durante a Primeira Guerra Mundial. Ao seu lado estava Louis Audouin-Dubreuil, que reunia vivência militar em unidades de tanques, experiência como piloto de guerra e profundo conhecimento do Norte da África, adquirido como oficial das forças coloniais francesas, no qual foi responsável pelos veículos em expedições como a Saoura–Tidikelt, em 1919. Esse mesmo grupo seria decisivo também nas expedições do “Croisière Noire” e do “Croisière Jaune”.


No dia 28 de outubro de 1924, oito veículos Citroën equipados com reboques, carregados com suprimentos e peças mecânicas, reuniram-se em Colomb-Béchar, no sul da Argélia. O grupo partiu em direção à região de Tanezrouft, conhecida como “a terra da sede”, dando início a um percurso de aproximadamente 24 mil quilômetros pelo continente africano. Ao volante estavam cerca de 20 homens, sob o comando de Georges-Marie Haardt e Louis Audouin-Dubreuil.
Apesar do planejamento detalhado, os imprevistos surgiram rapidamente. Além das doenças tropicais, o terreno representou um dos maiores desafios. No deserto pedregoso, as rotas precisavam ser abertas manualmente. Nos rios, muitas vezes infestados de crocodilos, foi necessário construir balsas ou pontes improvisadas, algumas com até 58 metros de extensão. Em regiões de vegetação densa, trilhas foram abertas com facões. A isso se somaram capotagens, áreas de areia movediça, incêndios em veículos e encontros com grupos hostis.
Ainda assim, o cronograma precisava ser cumprido. Em 20 de junho de 1925, diante de uma multidão de cerca de 60 mil pessoas, três dos quatro grupos que haviam se reorganizado em Kampala (Uganda), chegaram a Antananarivo (Madagáscar) após embarques realizados em Mombasa (Quênia), Dar es Salaam (Tanzânia) e Beira (Moçambique). O quarto grupo juntou-se aos demais apenas no final de agosto, após percorrer cerca de 5.000 quilômetros adicionais até a Cidade do Cabo (África do Sul).
Além do desafio técnico de cruzar a África de automóvel, o “Croisière Noire” deixou um legado significativo. A expedição resultou em 27 quilômetros de filme, 6 mil fotografias e um amplo conjunto de desenhos e pinturas de Alexandre Iacovleff, que retrataram os povos e culturas encontrados ao longo do percurso. No campo científico, foram coletadas 300 amostras de plantas, 800 aves e 1.500 insetos, muitos deles até então desconhecidos.

Em seguida, André Citroën voltou a reunir Haardt e Audouin-Dubreuil para lançar o “Croisière Jaune”, uma expedição dedicada à travessia do continente asiático por regiões extremas como o Himalaia e o Deserto de Gobi. Após o sucesso da expedição africana, o projeto contou com o apoio da National Geographic Society e a participação de cientistas renomados, como Pierre Teilhard de Chardin, que integrou a equipe como geólogo e paleontólogo. Foram organizados dois grupos. O grupo “Pamir” partiu de Beirute, no Líbano, enquanto o grupo “China” iniciou sua jornada a partir de Tianjin.
Os mais de 12 mil quilômetros em terrenos complexos somaram-se desafios políticos e burocráticos, incluindo a proibição de atravessar território soviético e o contexto instável da China à época.
Após partir de Beirute em 4 de abril, os veículos seguiram por Damasco, Bagdá, Teerã, Herat e Kandahar até chegar a Cabul, enfrentando temperaturas que chegavam a 50°C e comprometiam o desempenho dos motores. O trecho mais exigente veio na chegada a Srinagar, na Caxemira, aos pés do Himalaia, uma região até então inédita para o automóvel.
Depois de diversos episódios, os grupos Pamir e China se encontraram em Urumchi, no oeste da China. Em 30 de novembro, retomaram a jornada com o desafio de atravessar a Mongólia e o Deserto de Gobi durante o inverno. O frio extremo exigia o uso de água fervente nos radiadores para evitar o congelamento, além de manter os motores em funcionamento constante. A expedição chegou a Pequim em 12 de fevereiro de 1932, após mais de 12 mil quilômetros percorridos em condições adversas.
Essa experiência contribuiu diretamente para o desenvolvimento do Citroën 2CV, concebido inicialmente como um veículo de uso rural, capaz de atravessar um campo arado transportando uma cesta de ovos sem quebrar nenhum. Com o 2CV, a marca realizou desafios como a Volta ao Mediterrâneo, em 1952. Nas décadas seguintes, foram realizadas viagens até Tóquio via Índia, a travessia das Américas do Alasca à Terra do Fogo e, em 1960, a primeira Volta ao Mundo.
A Citroën ampliou as capacidades fora de estrada do 2CV com a versão Sahara, equipada com tração integral e dois motores, um na dianteira e outro na traseira. Sob organização da marca, grandes raids foram realizados, como o Paris-Cabul-Paris, em 1970, e o Raid África, em 1973, que percorreu 8 mil quilômetros pelo Saara e reuniu milhares de jovens europeus.
O lançamento do Citroën AX deu origem à “Operação Dragão”, que abriu ao Ocidente regiões da China até então pouco acessíveis. O Berlingo foi o veículo central do Raid Paris-Moscou. Soma-se a esse histórico as quatro vitórias do Citroën ZX no Rally Dakar, em 1991, 1994, 1995 e 1996.
A marca Citroën
Desde 1919, a Citroën cria automóveis, tecnologias e soluções de mobilidade para responder às mudanças da sociedade. Marca de ousadia e inovação, a Citroën coloca a tranquilidade e o bem-estar no centro da experiência do cliente e oferece uma ampla gama de modelos, desde o diferenciado Ami, um objeto de mobilidade elétrica projetado para a cidade, até sedãs, SUVs e veículos comerciais, a maioria disponível em versões elétricas ou híbridas recarregáveis. Marca pioneira no atendimento e atenção aos seus clientes particulares e profissionais, a Citroën está presente em 101 países e conta com uma rede de 6.200 pontos de venda e atendimento em todo o mundo.
Sobre a Stellantis
A Stellantis N.V. (NYSE: STLA / Euronext Milan: STLAM / Euronext Paris: STLAP) é uma montadora líder global, comprometida em oferecer aos seus clientes a liberdade de escolher a maneira como se movem, adotando as tecnologias mais recentes e criando valor para todos os seus stakeholders. Seu portfólio exclusivo de marcas icônicas e inovadoras inclui Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge, DS Automobiles, FIAT, Jeep®, Lancia, Maserati, Opel, Peugeot, Ram, Vauxhall, Free2move e Leasys. Para mais informações, visite www.stellantis.com.

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