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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Connection Terroirs do Brasil 2026: 18 indicações geográficas participaram pela primeira vez e ampliaram oportunidades de mercado. Evento reuniu empreendedores de diferentes regiões do País para apresentar produtos únicos, contar sobre produções que são heranças de gerações e fortalecer a valorização dos territórios de origem

Das 56 produções com Indicação Geográfica (IGs) presentes no Connection Terroirs do Brasil 2026, que acontece em Gramado/RS até sábado (13), 18 estão no evento pela primeira vez. São produtos como cafés, banana, cachaças, queijo, goiaba, cristais e artesanato com características únicas: desde o cultivo até o modo de fazer. Pequenos empreendedores que viram no evento uma oportunidade de mostrar seus produtos e contar suas histórias para milhares de pessoas.

“Cada nova Indicação Geográfica que chega ao Connection traz consigo uma história única de origem, tradição e pertencimento. Para esses produtores, estar aqui pela primeira vez representa a oportunidade de mostrar ao Brasil a riqueza dos seus territórios e de conectar pessoas às histórias que existem por trás de cada produto”, disse Marta Rossi, CEO da Rossi e Zorzanello, organizadora do evento.

Um desses novos expositores é Nubia Medeiros, uma das proprietárias do Queijos Tradição, produzido em Patos de Minas (MG), e que leva a IG de Queijo do Cerrado. Ela era funcionária pública e largou a profissão para se dedicar à fazenda.

“É um trabalho de gerações. No nosso caso, de pai para filho, do meu sogro para o meu esposo. E muito artesanal. É difícil chegar em um produto com a qualidade que a gente busca. Para isso, precisa de muito esforço e dedicação – todos os dias, 24 horas, acredite. Foi por isso que deixei a antiga profissão. Cansativo, mas muito gratificante, recompensador”, contou Nubia.

Nubia ainda destacou a qualidade dos vinhos gaúchos em sua produção: foi somente usando um vinho artesanal específico na maturação de um queijo que conseguiu chegar no resultado de cor, aroma e consistência que buscava.

Outro novo produtor no evento foi Orlei Mapurunga, que representa a IG da Cachaça de Viçosa do Ceará. Ele contou que os seus bisavós faziam a bebida, tradição que foi herdada pelos avós, pelo pai e que, agora, foi profissionalizada por ele. “Estamos trazendo para cá o nome da Viçosa do Ceará, capital da cachaça por lá”, diz.

A cachaça feita em Viçosa do Ceará tem características únicas por conta do tipo de cana, fermento, barris e envelhecimento envolvidos no processo de produção. A bebida se distingue tanto que já recebeu diversos prêmios, tanto nacionais quanto internacionais.

Todos os produtos podem ser conhecidos na Alameda Terroir (Rua Pedro Benetti, ao lado da Igreja São Pedro) das 14h às 21h na sexta-feira (12) e das 11h às 18h no sábado (13). O Sebrae apoia a viabilização e a qualificação da presença dos territórios no evento, fortalecendo a estratégia de inserção comercial e ampliação de mercado para pequenos produtores.

Herança de gerações

Tradição e história acompanham diversas produções com IGs expostas no Connection Terroir do Brasil 2026. É o caso da cracóvia produzida em Prudentópolis, no Paraná, que desde o ano passado conta com IG: no Brasil, é somente lá que é feito um processo de defumação que confere um aroma e gosto ao produto de origem ucraniana feito com carne de porco.

“É uma questão de cultura. 80% da população é de origem ucraniana. Desde 1979, a gente faz a cracóvia e outros tantos produtos. São mais de 54 hoje. Começou com avós, pais e, agora, somos nós. Todo o nosso jeito de ser, a programação da cidade, passa, de alguma forma, por essa produção artesanal. E temos orgulho disso”, conta Solaine Paulino, representante da Cracóvia de Prudentópolis.

Ela diz, ainda, que a Connection Terroirs do Brasil “abre portas para pequenos produtores” e possibilita ao público conhecer o que é produzido no país inteiro. Solaine afirma que tem certeza que “não há culinária que bata a brasileira” devido à riqueza que o território brasileiro proporciona: em razão do clima e das diferentes culturas que se desenvolveram por causa das mais diversas colonizações.

Orgulho da sua produção também sente Elaine Muller, produtora de Banana da Região de Corupá, no norte de Santa Catarina. Mas não foi sempre assim. A cidade com pouco menos de 16 mil habitantes produzia bananas que os consumidores consideravam “feias”. 

O clima frio machuca a casca da fruta. Além disso, por causa da temperatura, a cor é amarelo pálida. Isso fazia com que toneladas de produtos fossem descartados anualmente ou fossem vendidos por preços baixos. 

A questão é que essas condições de Corupá apesar de não conferirem uma vantagem estética, realçavam a doçura da banana: ela acumulava amido que se transformava em açúcares porque levava mais tempo para maturar.

“Nosso ouro é verde, temos orgulho da nossa produção e ela virou sinônimo de esperança. Hoje, uma cidade pequena como a nossa é a terceira maior produtora de bananas do país. E temos a mais doce”, conta Alaine, explicando que a IG para o produto veio em 2018.

IGs pela primeira vez na Connection Terroirs do Brasil

Açaí de Bailique do Amapá

Banana de Luiz Alves

Cachaça de Areia da Paraíba

Cachaça de Viçosa do Ceará

Café Conilon do Espírito Santo

Café Mandaguari do Paraná

Café da Serra de Apucarana

Café da Serra de Baturité

Café Torrinha de São Paulo

Cristais de Quartzo de Cristalina

Goiaba de Carlópolis do Paraná

Queijo do Cerrado de Minas Gerais

Queijo Sudeste do Paraná

Renda de Bilro de Aquiraz

Renda Renascença do Cariri Paraibano

Uva e Manga do Vale do Submédio São Francisco

Connection Terroirs do Brasil

O Connection Terroirs do Brasil ocorreu de 10 a 13 de junho e teve a correalização do Sebrae e patrocínio da Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul. Foi considerado a principal vitrine nacional de produtos de origem, reunindo produtores, especialistas e marcas em torno de temas como identidade, território e autenticidade. A programação incluiu palestras, painéis, experiências sensoriais e uma feira com produtos de Indicação Geográfica.

A agenda de conteúdo aconteceu nos dias 11 e 12 de junho, no Palácio dos Festivais, com especialistas nacionais e internacionais debatendo temas como turismo de experiência e os desafios das indicações geográficas no cenário global. ]

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