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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Connection Terroirs do Brasil destaca identidade, indicações geográficas e biodiversidade em Gramado. Programação no Palácio dos Festivais reuniu especialistas que debateram o futuro das certificações de origem, agregação de valor e a riqueza dos territórios


O Connection Terroirs do Brasil iniciou a programação oficial, na manhã desta quinta-feira (11), promovendo uma imersão na profunda relação entre os produtos, as suas origens e o mercado. Na Arena de Conteúdo, sediada no Palácio dos Festivais, a grade foi cuidadosamente desenhada para debater como a identidade regional, a proteção da marca e a biodiversidade se transformam em prosperidade e valor agregado.

As atividades começaram às 9h com a palestra de abertura "Experiências com Origem, Identidade e Significado", conduzida pela jornalista Daniela Filomeno. Trazendo exemplos de destinos como o Pantanal brasileiro e a Provance francesa, ela enfatizou que a conexão humana e a autenticidade são os verdadeiros diferenciais do turismo.

"Hoje, eu tenho a certeza que terroir, produto de origem, não é só uma expressão da terra. Ele é uma expressão da relação das pessoas com a terra. E talvez isso seja o nosso grande futuro do turismo", destacou Daniela

Na sequência, às 10h, o Connection trouxe o painel "Líquidos com Alma: Quando o Café e a Tequila Escrevem a História de um Território". O bate-papo entre a diretora-presidente da associação responsável pela Denominação de Origem Caparaó, Cecília Nakao, e a diretora de Promoções e Relações Públicas da Jose Cuervo México e América Latina, Araceli Ramos, foi focado em sustentabilidade e agregação de valor, sob a mediação da jornalista Sara Bodowsky. 

Cecília Nakao compartilhou a transformação social gerada pelo café na região do Caparaó, enquanto Araceli Ramos, executiva da marca Jose Cuervo, reforçou o papel do turismo no desenvolvimento da Rota da Tequila no México.

"A gente está conseguindo realizar realmente uma sucessão familiar, em que os filhos, essa geração mais nova, estão ficando na propriedade, estão gostando de produzir Caparaó, estão tendo orgulho. Eles estão sentindo pertencimento e vêm mudando, ano a ano, a nossa realidade", comemorou Cecília.

Araceli complementou a visão sobre o papel das comunidades nas Indicações Geográficas: "Quando você quer fazer um produto ou criar um produto, tem que envolver a comunidade. O importante é trabalhar com a comunidade, é o envolvimento, o sentido de pertencimento. É defender um produto que é a tequila, não importa a marca, é a denominação de origem".

A proteção dos negócios e das marcas ganhou os holofotes a partir das 10h50 na palestra "Compliance como Proteção de Reputação de Produtos e Serviços", ministrada pelo advogado Fabiano Machado da Rosa. Ele provocou o público a refletir sobre como a integridade dos processos afeta diretamente a percepção de valor do que é entregue ao consumidor.

"Reputação atrai e reputação repele. Reputação faz com que o seu produto valha mais. Reputação constrói laços de confiança", explicou Fabiano. "A reputação dos seus produtos, dos seus processos, dos seus sistemas, da ética faz absolutamente parte do negócio", complementou.

O evento também voltou o seu olhar para o cenário das IGs com a palestra do professor Jean-Louis Le Guerroué. Com o tema "A Indicação Geográfica do Amanhã: Ferramenta de Preservação e Prosperidade Territorial", a apresentação destacou o desafio contemporâneo de alinhar as tradições às novas demandas por sustentabilidade.

"A IG tem uma alma, tem um coração associado ao território, à sua história. Então, como a gente vai inovar sem perder o que faz a indicação geográfica? Não é só proteger o produto, é proteger os ativos territoriais, o que cria o território, o que dá o DNA do território com essas evoluções, trazendo prosperidade e preservação junto", questionou Le Guerroué.

Para encerrar a grade de conteúdo da manhã, o painel "Sabores da Origem: A Biodiversidade do Sul na Mesa" celebrou a riqueza biológica e gastronômica regional.

O debate reuniu os chefes de cozinha Rodrigo Bellora – representando o RS –, Pedro Soares – representando SC – e Felipe Cavalcanti – representando PR –, com a mediação da jornalista Anelise Zanoni. Cada um falou sobre as IGs em seus estados, a combinação dos produtos de origem e a culinária e as suas histórias na gastronomia.

Além do Palácio, o Connection Terroirs do Brasil conta com atividades nas ruas Coberta e Pedro Benetti (ao lado da Igreja Matriz São Pedro). A CEO da Rossi & Zorzanello – realizadora do evento –, Marta Rossi, destacou que a primeira manhã de palestras reforçou o grande propósito do Connection: provar que a verdadeira riqueza dos territórios vai além do produto final.

“Como vimos hoje, o turismo e o consumo se transformaram, e as pessoas buscam conexões autênticas e o verdadeiro significado da origem. Ficou evidente, através de exemplos inspiradores como o café do Caparaó e a Tequila no México, que as Indicações Geográficas têm o poder de mudar realidades, garantindo a sucessão familiar, o engajamento da comunidade e um profundo sentimento de pertencimento”, celebrou Marta.

Connection Terroirs do Brasil

O Connection Terroirs do Brasil ocorreu de 10 a 13 de junho e contou com a correalização do Sebrae. É considerado a principal vitrine nacional de produtos de origem, reunindo produtores, especialistas e marcas em torno de temas como identidade, território e autenticidade. A programação incluiu palestras, painéis, experiências sensoriais e uma feira com produtos de Indicação Geográfica.

A agenda de conteúdo aconteceu nos dias 11 e 12 de junho, no Palácio dos Festivais, com especialistas nacionais e internacionais debatendo temas como turismo de experiência e os desafios das indicações geográficas no cenário global. As inscrições para acesso às palestras podem ser realizadas pelo site connectionexperience.com.br.

Texto: Vitória Leitzke | fernando@rossiezorzanello.com.br

 





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