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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A FIAT DESPEDE-SE DO QUASE LENDÁRIO FIAT MILLE COM UMA PRODUÇÃO ESPECIAL DE 2 MIL UNIDADES QUE DENOMINOU GRAZIE MILLE. PELA FALTA DE FREIOS ABS E AIR BAGS NA FRENTE, OBRIGATÓRIOS A PARTIR DE JANEIRO, A ITALIANA TEM ATÉ O DIA 1º DE MARÇO PARA VENDER TODOS. OUTRO QUE SAIU DE LINHA FOI A KOMBI, QUE CIRCULA NO BRASIL DESDE 1953 E FOI USADA EM TODO O TIPO DE TRANSPORTE. A ÚLTIMA KOMBI - SEM O ABS E OS AIR BAGS - NASCEU NO ÚLTIMO DIA 18 DE NÃO TEM DATA DE VALIDADE. GUERRA É GUERRA E RENAULT LEVOU A MELHOR, NA CHINA.


Coluna nº 5213 - 24 de Dezembro de 2013
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Grazie Mille, grazie

Barrado no baile do mercado pela exigência legal de portar air bags – coisa inviável em seu projeto do início dos anos ’80 – o Fiat Mille vai sair de produção. 

A fábrica realiza esforço nestes dias para levar a produção ao limite máximo que permita vendê-lo, até 31 de março.

É a série Grazie – obrigado – Mille, com duas mil unidades. Coisa especial, numerados em plaqueta aposta ao painel. 

Identificados pela exclusiva cor Verde Saquarema, decoração externa, faróis com máscara negra, rodas em liga leve aro 13”, adesivos Grazie Mille. 

Dentro, revestimento em tecido com bordado, sobre tapete, pedaleira, rádio connect, subwoofer, painel de instrumentos com outra grafia, cobertura no porta-malas. Ar condicionado, vidros e travas elétricas. R$ 31.200.

Há muito a agradecer. O Mille chegou em 1983 e nestes 30 anos vendeu bem e se manteve em produção junto com seus sucessores, uma proeza de mercado. 

Foi bem dimensionado e transformou-se no carro de frota e trabalho, posto antes ocupado pelos VW Fusca e Gol.
Mille, série final Grazie Mille


Para provocar, um Mercedes a US$ 499 mil


Fim do ano, hora de 13º salário, participação nos lucros das empresas, balanço nos negócios individuais, é período de generosidades, presentes, gastos largos, muitos rótulos para a injeção de dinheiro na economia do país.

A Mercedes-Benz surgiu como oferta para integrar a lista de presentes: a última edição do esportivo SLS AMG Coupé, em edição especial, a Black Series. 

É o mesmo automóvel superlativo, com desenvolvimento em motor, transmissão, suspensão e aerodinâmica.

Não é um tapa, maquiagem para caracterizar a fornada de despedida deste modelo, mas trabalho amplo. 

Redução de peso, aumento de potência, melhor operação da transmissão. Peso baixou a 1.625 kg, potência subiu consequente ao trabalho nos comandos de válvulas, virabrequim, lubrificação, a 464 kW / 631 cv, a 8.000 rpm, relação onde cada cavalo carrega apenas 2,57 kg. 

A transmissão automática de sete velocidades duas embreagens, foi rebaixada 1 cm para melhor distribuição de peso, e tem coxins gasosos para absorver vibrações. 

O conjunto permite acelerar da imobilidade aos 100 km/h em 3,6s. Para detê-lo, freios de cerâmica, rodas forjadas em liga leve, pneus resistentes aos 317 km/h de velocidade de pico. 

Pacote de eletrônica para garantir segurança, e a sofisticação desnecessária do sistema de som Bang & Olufsen.

O motor, o mais potente ciclo Otto atual, é montado por um engenheiro, que nele aplica uma plaqueta, assinalando seu orgulho.

É automóvel referencial e reverencial. Custa, aqui, chaves na mão, entregue pela Mercedes na porta de sua casa, US$ 499 mil dólares.

AMG SLS, série especial, mais potente. 


Roda-a-Roda

Embolou – PSA – leia Peugeot + Citroën – negociava com a chinesa Dongfeng acordo comercial visando sociedade de amplo espectro. 

Foi atropelada. A Renault fechou negociação com 50% do capital para produção local.

Mercado – O tentativo entendimento mundial com o Irã deve reabrir o bom mercado do país – 1,6 a 2 milhões de
 veículos/ano – a importações e produção local. 

As francesas já estão lá e o Peugeot 208 é o mais vendido. Os EUA pressionam para remoção das barreiras que os demonizava, permitindo aos produtos chegar por exportações ou acordo com as montadoras locais.

Mercosul – Globalização pode trazer alguma novidade Peugeot ao Mercosul, com entrada pela Venezuela, variante ao atual produto. 

Lá se comete misturada de Peugeot 405 dos anos ’90 – três gerações anteriores - com peças locais, e exemplo da estatização: caro ao estado, ruim ao comprador. 

Missão peculiar: vendas subsidiadas a jovens oficiais das forças armadas. Tipo Bolsa Milico.

Amarok 2014 - Para criar novidade e marcando como linha 2014 Volkswagen incrementou o picape Amarok. 

Na versão Highline, de topo, equipamentos antes opcionais, como controle de estabilidade (ESC), a assistência para partida em rampa (HSA), controle automático de descida (HDC), air bags laterais para cabeça e tórax, e a exclusividade setorial dos faróis de neblina que se movimentam em manobras.

Mais - Nestes periféricos incorporados à versão de topo, espelhos retrovisores externos são rebatíveis eletricamente, diminuindo 17 cm na largura do picape. 

E mudança na estrutura do painel para receber tela do computador de bordo, e volante com teclas para som e computador. 

Há engates Isofix – padrão mundial para fixação de cadeirinhas de criança no banco traseiro.

Data – Volkswagen marcou data para apresentar seu mais importante lançamento nesse ano, o UP!: primeira semana de fevereiro, com vendas a seguir. Carro de entrada, atualizado, diferenciado. Mais barato da linha.

Mais – Antes, na última semana de janeiro, a Audi exibirá o A3 em versão Sedan. Quer, como a Coluna antecipou, aumentar a frota, tornar o produto conhecido, movimentar vendas e passagem nas revendas, antecipando-se à produção local.

Audi A3 Sedan



Imagem – Uma das marcas japonesas fazendo veículos no Brasil quer mudar inteiramente sua forma de se relacionar com a imprensa: reformulará caminhos, posturas, executivos. 

Quer formar imagem de simpatia. O presidente teria perguntado porque, no Brasil, nunca jornalista algum o procura. Descobriu, a assessoria impõe barreiras.

Aliás – Se em produtos os nipônicos são bons de serviço, no relacionamento com jornalistas são abaixo de crítica, descompromissados com informação. 

Tomara dê certo, servindo como novo parâmetro ao grupo da etnia no Brasil.

Hora séria – A Honda está em projeto mundial de crescer em vendas, do 1,7 milhão, ano passado, a 2 milhões, em 2016. 

E a nova família Fit/City, mais o recente SUV que no Japão se chama Vezel, mas aqui terá outro nome, é ferramenta para isto.

Diálogo – Rompendo política de distanciamento, a Ford produziu revista especial para impressionante relação de 43 mil oficinas. Utilizará o nome Motorcraft. 

Conteúdo especial, informações técnicas, mimos como ferramentinhas. Visa facilitar conhecimento e sua aplicação – e explicar porque as peças originais tem qualidade e oferecer descontos especiais.

Porquê – Após três anos de uso pouquíssimos clientes levam seu Ford à rede autorizada, recorrendo às oficinas. 

Daí a Ford querer se aproximar deste grupo. Se não vende serviços, quer vender peças.

Mais, do mesmo – 640 ônibus Mercedes-Benz foram adquiridos pela Viação Pioneira, integrando o transporte público do Distrito Federal. 

Negócio de R$ 177 milhões, financiados pelo Banco Mercedes-Benz, parceiro há 10 anos.

Transporte público em Brasília é uma das mazelas da marcante capital.

Negócio – Volvo Construction Equipment adquiriu o negócio de caminhões off-road da Terex. 

Quer mais participar do mercado de movimentação de terra e mineração. US$ 160 milhões, livres, sem dívidas, e inclui fábrica na Escócia, o tudo a ver com caminhões rígidos e articulados, e estrutura de distribuição no mercado estadunidense. Poucas empresas mudaram tanto de dono e país.

Caminho – Pedro Estácio, o Pedrinho, 15, mais novo dos herdeiros do tricampeão de Fórmula 1, Nelson Piquet, fará 15 corridas em cinco finais de semana na Nova Zelândia. 

Neste ano, em Kart, após vitórias na Itália no FIA Academy, recebeu licença para competir com monopostos.

Pré – É a Toyota Racing Series, com monoposto semelhante aos da Fórmula 3, 200 cv. Com talento e genética pode ser o terceiro Piquet a chegar à Fórmula 1.

Piquets: Nelson, pai, centro. Irmãos Lazlo – corre em motos -, e Pedrinho (d)


Ecologia – Projeto de sustentabilidade pela Mercedes-Benz no Brasil ganhou prêmio mundial da empresa. 

Implantado junto à rede de concessionários da marca, motivou responsabilidades e a produção de um manual de procedimentos.

Implantar e sedimentar práticas ecológicas em oficinas é desafio dos maiores.

Gente – Glauco Lucena, jornalista especializado em veículos, mudança. 

OOOO Após 9 anos na revista Autoesporte, coordenará, pela controladora Fiat, àrea de imprensa da Chrysler. 

OOOO José Luiz Vieira, 81, decano dos jornalistas especializados no Brasil, deixou a Abiauto, associação profissional. 

OOOO Questões paralelas. Perda sensível. OOOO


O adeus da Velha Senhora

Fenômeno industrial, a Kombi encerrou a produção às 22h46, do dia 18 de dezembro, antes mesmo da polêmica discussão sobre prolongar ou retomar sua produção.

Chegou ao Brasil ao início da década de ’50, quando a marca era representada pela Brasmotor. Foi montada por esta e pela nascente VW do Brasil, instalada no Brasil a partir de 1953. 

Após, foi o primeiro produto da monumental fábrica da empresa em São Bernardo do Campo, SP. Primeira e maior das instalações industriais fora da Alemanha.

O arranjo mecânico simples – grupo moto propulsor traseiro – amplo espaço para carregar cargas, em excepcional relação entre peso e carga transportada, ambos em torno de uma tonelada, resistente ao uso, simples para manutenção, e o fato de ser único produto com sua morfologia tornaram-na sem concorrente.

Teve motores 1.100, 1.200, 1.400, 1.500, e 1.600, em diferentes configurações: boxer, L4, refrigerados por ar, por água. 
Funcionou a gasolina, a diesel, por álcool ou gasolina e álcool. 

Transportou famílias, cargas, foi sede de negócios individuais – na nascente Brasília foi escritório de depois famoso advogado – e até hoje aplicada, móvel ou não, como base para lava jato, costureiras, chaveiros, e o que mais precisar de espaço. 

De fábrica teve versões para ambulância, carro de polícia, camping, oficina, bombeiros, carrocinha para capturar cães sem dono, carro fúnebre. De tudo um pouco e um tudo.

Poucos veículos tiveram tão amplo leque de aplicações, e nenhum sua ampla vida no Brasil: a velha senhora, que agora deixa o palco, nele trabalhou, diuturnamente, de 1957 a 2013. 

Nas festividades de sua despedida a Volkswagen prepara livro digital – www.kombi.vw - e livro físico.

Última Kombi, dia 18

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edita@rnasser.com.br

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